sábado, 6 de fevereiro de 2010

Quero mesmo é um AMOR



Eu quero mesmo é um amor. Pode ser um amor feinho como o da Adélia, bem simplinho, bem básico, bem sem fru-fru. Não precisa ser lindão, mas também não pode ser jururu, não precisa ser de arrasar, não precisa embalagem fina, salto alto. Pode ser amor pé descalço, despretensioso, que, pra variar, esteja pertinho e, se não estiver, dê jeito de ficar o mais depressa e urgentemente possível. Um amor de beijar, de amassar, aprazível, anti-derrapante que não solte as tiras, não deforme mas que, por favor, tenha cheiros vários. Um amor que não morra de susto, que não se tranque no armário, que não estaqueie, que não amarele, não fique pasmo, não encrenque e pare de funcionar da noite para o dia sem garantia ou assistência técnica. Pode ser sem opcionais, sem adereços, sem rima ou métrica, sem extras e sem bônus de vale-brinde, mas precisa estar em razoável estado de conservação. Muito importante é ser amor pé no chão: chega de platônicos, de fãs, admiradores ou de amor de fantasia. Se você é daqueles que aprecia uma musa inspiradora e epifanias para carregar na lembrança e nos enlevos pro resto da vida, para sonhar, imaginar, recordar e rejubilar-se, vá procurar outra sílfide, outra ninfa, outra pobre coitada compatível com altares, alturas e símbalos sonantes. Eu quero um amor pulsante, para beijar de olhos abertos, para tratar da frieira, para ir ao supermercado, para resolver problema, para brigar por mais espaço na rede, para reclamar que desmarcou a página do livro, para passear na feira. Eu quero mesmo é um amor bem vivo, daqueles férteis, tarados, famintos mas quietinhos, um amor de mãos dadas, de subentendidos e gargalhadas, café bem forte, beijo no pescoço, almoço de domingo, família peculiar. Eu quero um amor de se entregar que não me deixe esperando, não me pegue chorando de tristeza, que não me faça sofrer. Eu quero um amor sem aspereza, pra viver os dias todos: os muito quentes com gelo e limão, os muitos frios de pijama, chocolate e roupão. Eu quero um amor que faça da gente uma casa um para o outro, que nos torne reciprocamente refúgios contra todo o resto do mundo, um amor pra se abrir, se perscrutar, se invadir e não panicar. Eu quero um amor de surpresas boas, de confiança, de sofreguidão e de calmaria, um amor pra luz do dia e o mesmo amor para as noites vadias, um amor para enfrentar tudo e todos juntos com a certeza de que ainda que não sobrasse nada, sobraríamos nós, um pra ser o amor do outro. Patrícia Antoniete Ferreira


Amor Feinho - Adélia Prado
Eu quero amor feinho. Amor feinho não olha um pro outro. Uma vez encontrado, é igual fé, não teologa mais. Duro de forte, o amor feinho é magro, doido por sexo e filhos tem os quantos haja. Tudo que não fala, faz. Planta beijo de três cores ao redor da casa e saudade roxa e branca, da comum e da dobrada. Amor feinho é bom porque não fica velho. Cuida do essencial; o que brilha nos olhos é o que é: eu sou homem você é mulher. Amor feinho não tem ilusão, o que ele tem é esperança: eu quero amor feinho.

sexta-feira, 18 de dezembro de 2009



CONVITE DE NATAL

Enquanto a glória do Natal se expande,
Aqui, ali, além,
Toda a Terra se veste de esperança
Para a festa do bem!

Natal!...Refaz-se a vida, alguém ressurge,
Nos clarões com que o céu se te anuncia...
É Jesus a pedir-te que repartas
Do teu pão de alegria.

Para louvar-lhe os dons da Presença Divina,
Não digas, alma irmã, que nada tens;
A riqueza do amor, no coração fraterno,
É o maior de teus bens...

Quando o dia se esvai e a noite desce,
Ao comando da sombra que a domina,
Para varrer a escuridão da estrada
Basta a luz de uma vela pequenina.

O deserto se esfalfa em longa sêde,
Na solidão em que se configura...
Se chega simples fonte,
Ei-lo mudado em florida espessura!

Ninguém sabe tão bem, senão aquele
Que a penúria desgasta ou desconforta,
O valor de uma veste contra o frio,
O tesouro de um prato dado à porta.
A migalha de força é a base do Universo,
Desde a furna terrestre à estrela mais remota!
Todo livro se escreve, letra a letra,
Compõe-se a melodia, nota em nota...
Alma irmã, no serviço da bondade,
Jamais te afirmes desfavorecida...
Pobres sementes formam ricas messes!
Assim também na vida...

O cobertor, o pão, a prece, o abraço,
Uma frase de paz e compreensão
Podem criar prodígios de trabalho,
De reconforto e de ressurreição!

Natal!...Dá de ti mesmo o quanto possas,
No amparo à retaguarda padecente;
Toda benção de auxílio é socorro celeste,
Que Deus amplia indefinidamente.
Natal!...Recorda o Mestre da Bondade!...
Ele, o Cristo e Senhor,
Acendeu sobre a Terra o Sol do novo reino
Com migalhas de amor!

(Maria Dolores)

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009



Sentença final

A pensar em ti, sonhei lindos sonhos
Vivi da alegria do amanhecer a cada dia
Porque havia você.

Ouvia o cantar dos pássaros,
O barulho da chuva,
Em tudo via poesia, por pensar em você.

Mas segue a vida a sua estrada,
E pela sorte desgraçada,
Descobri que “mal-me-quer”.

Olho fixo na paisagem,
Já são turvas as imagens,
Marejadas pela dor.

Constato, não há redenção
Para esse meu tolo coração;
Vais mesmo morrer de amor!

Alfers\Dez.2009 _Portugal


Este poema tem autor, se for copiá-lo não oculte seu criador.

sábado, 25 de julho de 2009


Quimera
(Amei-te imensamente, nunca duvides!)

Sonhei acordada com teus beijos
Envolta em tantos desejos
Não percebi o despertar.

Olhei, a pouco, tua fotografia
E enxerguei o que não via
Enquanto me punha a sonhar.

O tempo não pára e passou
Só as marcas foi que deixou
Em tua face e em teu lugar.

A imagem que tenho na mente
Nem um pouco é condizente
Com a que estou a olhar.

Vi-te com os olhos da alma
Por isso perco a calma
E junto, também o chão.

Concluo neste momento
Que já não foi o vento
Quem te levou de mim.

Nunca comigo estivera
Foste só uma quimera
E se acabou por fim.

Alfers/Jul.2009_ Pt

* Este poema tem autor se for copiá-lo, não oculte seu criador.

domingo, 19 de julho de 2009


Eu ...

Amiga. Sempre amiga.

Olhos abertos. Atentos. Castanhos ou azuis...o dele.

Menina marota. Mulher decidida.

Copo sempre cheio. Coca-Cola. Água gelada. Keep Coller, as vezes.

Pés. Firmes no chão. Bem feitos. Sem curva. Salto alto.Descalça.

Mini saias, foi o tempo. Calça jeans, dispenso. Moda clássica. Roupa confortável. Blusas decotadas. Ombros. Colo. Um detalhe. Toda diferença.

Orelha, dois furos em cada. Delicadeza.

Telefone: muitos números. Pouca gente liga. Who cares?!

Um beijo. Uma noite. Pra sempre...Eterno. Verdadeiro.

Cabelo enrolado e revoltado. Briga constante. Preso, na maioria das vezes.

Maquiagem. Lápis, sombra e gloss. Mais nada.

Sempre sozinha. Solitária?! Nunca.

Determinada. Carinhosa. Carente. Sorridente. Sutil. Ironica. Chata?! Não.

Cheirosa. Burberry. Bulgari Blanc ."Giovanna Baby" no dia-dia.

Sempre. Cineminha. Programa caseiro. Pipoca com manteiga e limão. Com amigos. Sozinha.

A dois. Candle light. Boa música. Duas taças. Romantica. Por vezes, melosa.

Desconfiada. Apaixonada pela vida. Apaixonada por mim e por ele. Rindo, sempre. Chorando,por vezes.

Sendo. "Pasta" aos quatro queijos. Tarte de bolacha. Gelado de creme da Kibon.

Cama espaçosa. Dois travesseiros. Dormir abraçada. Pouca luz. Muito tato. Pura destreza. Aniversário. 2007. Sozinha, tristeza profunda.

Danço. Levo jeito. Pradópolis. Penápolis. São Paulo. Ribeirão Preto, Família. Viseu. Porto. Portugal. Amigos.

Música. Cada instante. Bach. Vivaldi. Hendel. Alcione. Saudades. Minha vida tem trilha sonora.

Milhares de fotos. Muitos lugares. Sempre fazer amigos. Ainda bem!

Brigadeiro... nem muito quente, nem muito gelado. Na colher, com granulado.

Domingo, o dia e o amigo.

O mar. Vento no rosto. Olhos fechados. Som encantado. Meus pés. Os pés dele...

Vida, se joga! Presente para poucos. Loucos. Incerto, para quem mente. Descrente.

Conquistas. Vitórias. Final Feliz. Como eu quis!

quinta-feira, 19 de março de 2009

Mundo Moderno
Chico Anysio

Mundo moderno, marco malévolo, mesclando mentiras, modificando maneiras, mascarando maracutaias, majestoso manicômio. Meu monólogo mostra mentiras, mazelas, misérias, massacres, miscigenação, morticínio - maior maldade mundial.
Madrugada, matuto magro, macrocéfalo, mastiga média morna. Monta matungo malhado munindo machado, martelo, mochila murcha, margeia mata maior. Manhãzinha, move moinho, moendo macaxeira, mandioca. Meio-dia mata marreco, manjar melhorzinho. Meia-noite, mima mulherzinha mimosa, Maria morena, momento maravilha, motivação mútua, mas monocórdia mesmice. Muitos migram, macilentos, maltrapilhos. Morarão modestamente, malocas metropolitanas, mocambos miseráveis. Menos moral, menos mantimentos, mais menosprezo. Metade morre.
Mundo maligno, misturando mendigos maltratados, menores metralhados, militares mandões, meretrizes, maratonas, mocinhas, meras meninas, mariposas mortificando-se moralmente, modestas moças maculadas, mercenárias mulheres marcadas. Mundo medíocre. Milionários montam mansões magníficas: melhor mármore, mobília mirabolante, máxima megalomania, mordomo, Mercedes, motorista, mãos… Magnatas manobrando milhões, mas maioria morre minguando. Moradia meia-água, menos, marquise.
Mundo maluco, máquina mortífera. Mundo moderno, melhore. Melhore mais, melhore muito, melhore mesmo. Merecemos. Maldito mundo moderno, mundinho merda.

O fato de todas as palavras começarem com a letra ‘ m ‘ dá um charme e deixa o poema muito mais atraente. Há ausência de preposições, artigos, pronomes; a poesia é composta praticamente de substantivo, adjetivo e verbos. Fantástico!

quinta-feira, 12 de março de 2009

Meu amado avô e minha sobrinha, ambos "in memoriam."

Meu Avô

Acordar com o radinho a tocar
música caipira a escutar,
com os meus olhos ele acompanhar
bem quieta ficar até "bom dia" ganhar.

Levantar os dentes escovar
o café ir à mesa tomar e
atrás dele andar.

Vê-lo as bananas no varal pendurar
as forminhas para nós criar
e os balanços desenrrolar.

Com as mãos carinhosas nossos cabelos afagar
tinha um sorriso singular
se fosse preciso repreender, bastava um olhar
a familia sempre amar, é o que veio nós ensinar.
Alfers/Jan. 2007

* Este poema tem autor se for copiá-lo, não oculte seu criador.

Meu avô era meu espelho de vida, sempre fiz tudo para parecer com ele, aprendi a comer com a mão esquerda porque ele era canhoto, nunca me importei com bebida porque ele não bebia, sempre sorri muito porque ele sempre para mim sorria, sempre me senti previlegiada por ser por ele abençoada, dormi na cama deles por muitos anos, morei com eles até a vovó patir, convulsionei por não entender que as vezes ele tinha que se ausentar para trabalhar, dormi naquele colo por vezes sem conta, segurei naquelas mãos sempre que as vi, nunca imaginei minha vida sem a presença dele e ainda hoje o ouço e espero que chegue, que se achegue e que me beije enquanto me abençoa. Meu avô era a pessoa mais doce que já passou pela minha vida, sabe aquelas pessoas em que as qualidades se sobrepõem aos defeitos, ele era assim! Custa-me muito aceitar que já não o tenho diante dos olhos, que não o posso tocar e só sei eu a falta que ele faz. Nunca de VÔ eu o chamei porque ele foi sempre meu... PAI!