sábado, 4 de fevereiro de 2012

Amando você

Olhei-te, acho que inclinei levemente a cabeça.
Pensei, “amo tudo neste homem”;
Os cabelos revoltos,
A barba por fazer,
A rugas próximas aos olhos,
Os lábios,
As expressões das mãos,
Olhar de ónix,
O som da voz.
De repente você pergunta: “ Tás a ouvir-me?”
Pisquei lentamente, “ não, estou amando você!”

Alfers - Fev./2012 PT
• Este poema tem autor, se for copiá-lo não exclua seu criador.

segunda-feira, 22 de novembro de 2010



Acordo. Dormes ainda.
Que fazer se me apetece?
Pego na tua mão
e pouso-a onde estou vivo.
Respiras. Andantino.
As costas para mim. Não resisto.
Os dedos, leves, ensalivados,
Vão à procura do grão, do seu pólen.
Vão e vem, vou e venho.
Beijo-te no ombro. Sorris.
Dormes ainda? Subitamente
Abres os olhos, abres a boca
E debruças-te sobre mim.
O dia principia.

Casimiro de Brito

quinta-feira, 1 de julho de 2010

PEDAÇOS DE MIM




Eu sou feito de
Sonhos interrompidos,
detalhes despercebidos,
amores mal resolvidos.
Sou feito de
Choros sem ter razão,
pessoas no coração,
atos por impulsão.
Sinto falta de
Lugares que não conheci,
experiências que não vivi,
momentos que já esqueci.
E...u sou
Amor e carinho constante,
distraída até o bastante,
não paro por instante.
Já
Tive noites mal dormidas,
perdi pessoas muito queridas,
cumpri coisas não-prometidas.
Muitas vezes eu
Desisti sem mesmo tentar,
pensei em fugir,para não enfrentar,
sorri para não chorar.
Eu sinto pelas
Coisas que não mudei,
amizades que não cultivei,
aqueles que eu julguei,
coisas que eu falei.
Tenho saudade
De pessoas que fui conhecendo,
lembranças que fui esquecendo,
amigos que acabei perdendo.
Mas continuo vivendo e aprendendo.
- Martha Medeiros -

segunda-feira, 21 de junho de 2010

Meu Coração



Coração magoado
é como gato escaldado,
difícil outra vez confiar.

Quieto, fechado e isolado
é assim que prefere estar.

Mas para grande surpresa
segue o curso a natureza,
e volta com intensidade pulsar.

Feliz, alegre e dançante
é assim que neste instante, meu coração está.
Alfers/Maio 2010 PT

* este poema tem autor, se for copiá-lo, não oculte seu criador.

Renovação



Amei intensamente um alguém
E achei que nunca mais outra vez,
Então num qualquer de repente
Me aconteceu VOCÊ.

Braços fortes que protegem,
Boca que cala quando fala,
Mãos que entrelaçam e emocionam,
Corpo que encosta e direcciona.

Toque certo que enlouquece,
Lábios que incendeiam e se firmam,
Abraço que segura e estremece,
Contactos que entorpecem, embriagam.

Paz tantas vezes procurada,
Felicidade que julgava perdida,
Equilíbrio nunca antes alcançado,
Apogeu, até aqui, sempre idealizado.

Eterno não sei se será,
Garantias jamais existirá,
Mas antes que o futuro confirme ou mude tudo,
No teu corpo, o meu, muitas vezes renascerá!
Alfers/Junho_2010 PT

* Este poema tem autor, se for copiá-lo, não oculte seu criador.

sábado, 12 de junho de 2010

Rafaela














Apareceu de surpresa
A minha primeira princesa,
Toda inchada, enrugada no berçário
Hoje linda mulher, extraordinário!

Intensa em tudo faz
Chorou e gargalhou como lhe apraz.
Hora bruxa, hora donzela,
Mas feliz sempre foi ela.

Minha amiga e companheira
Foi minha mascote a vida inteira.
Há quem diga que é a minha preferida,
Eu digo que é à mim mais unida.
Este poema é pra dizer a ela:
Amo-a, minha Rafaela!
Alfers / Junho 2010 PT

* Este poema tem autor se for copiá-lo, não oculte seu criador.

sábado, 6 de fevereiro de 2010

Quero mesmo é um AMOR



Eu quero mesmo é um amor. Pode ser um amor feinho como o da Adélia, bem simplinho, bem básico, bem sem fru-fru. Não precisa ser lindão, mas também não pode ser jururu, não precisa ser de arrasar, não precisa embalagem fina, salto alto. Pode ser amor pé descalço, despretensioso, que, pra variar, esteja pertinho e, se não estiver, dê jeito de ficar o mais depressa e urgentemente possível. Um amor de beijar, de amassar, aprazível, anti-derrapante que não solte as tiras, não deforme mas que, por favor, tenha cheiros vários. Um amor que não morra de susto, que não se tranque no armário, que não estaqueie, que não amarele, não fique pasmo, não encrenque e pare de funcionar da noite para o dia sem garantia ou assistência técnica. Pode ser sem opcionais, sem adereços, sem rima ou métrica, sem extras e sem bônus de vale-brinde, mas precisa estar em razoável estado de conservação. Muito importante é ser amor pé no chão: chega de platônicos, de fãs, admiradores ou de amor de fantasia. Se você é daqueles que aprecia uma musa inspiradora e epifanias para carregar na lembrança e nos enlevos pro resto da vida, para sonhar, imaginar, recordar e rejubilar-se, vá procurar outra sílfide, outra ninfa, outra pobre coitada compatível com altares, alturas e símbalos sonantes. Eu quero um amor pulsante, para beijar de olhos abertos, para tratar da frieira, para ir ao supermercado, para resolver problema, para brigar por mais espaço na rede, para reclamar que desmarcou a página do livro, para passear na feira. Eu quero mesmo é um amor bem vivo, daqueles férteis, tarados, famintos mas quietinhos, um amor de mãos dadas, de subentendidos e gargalhadas, café bem forte, beijo no pescoço, almoço de domingo, família peculiar. Eu quero um amor de se entregar que não me deixe esperando, não me pegue chorando de tristeza, que não me faça sofrer. Eu quero um amor sem aspereza, pra viver os dias todos: os muito quentes com gelo e limão, os muitos frios de pijama, chocolate e roupão. Eu quero um amor que faça da gente uma casa um para o outro, que nos torne reciprocamente refúgios contra todo o resto do mundo, um amor pra se abrir, se perscrutar, se invadir e não panicar. Eu quero um amor de surpresas boas, de confiança, de sofreguidão e de calmaria, um amor pra luz do dia e o mesmo amor para as noites vadias, um amor para enfrentar tudo e todos juntos com a certeza de que ainda que não sobrasse nada, sobraríamos nós, um pra ser o amor do outro. Patrícia Antoniete Ferreira


Amor Feinho - Adélia Prado
Eu quero amor feinho. Amor feinho não olha um pro outro. Uma vez encontrado, é igual fé, não teologa mais. Duro de forte, o amor feinho é magro, doido por sexo e filhos tem os quantos haja. Tudo que não fala, faz. Planta beijo de três cores ao redor da casa e saudade roxa e branca, da comum e da dobrada. Amor feinho é bom porque não fica velho. Cuida do essencial; o que brilha nos olhos é o que é: eu sou homem você é mulher. Amor feinho não tem ilusão, o que ele tem é esperança: eu quero amor feinho.