segunda-feira, 21 de junho de 2010

Meu Coração



Coração magoado
é como gato escaldado,
difícil outra vez confiar.

Quieto, fechado e isolado
é assim que prefere estar.

Mas para grande surpresa
segue o curso a natureza,
e volta com intensidade pulsar.

Feliz, alegre e dançante
é assim que neste instante, meu coração está.
Alfers/Maio 2010 PT

* este poema tem autor, se for copiá-lo, não oculte seu criador.

Renovação



Amei intensamente um alguém
E achei que nunca mais outra vez,
Então num qualquer de repente
Me aconteceu VOCÊ.

Braços fortes que protegem,
Boca que cala quando fala,
Mãos que entrelaçam e emocionam,
Corpo que encosta e direcciona.

Toque certo que enlouquece,
Lábios que incendeiam e se firmam,
Abraço que segura e estremece,
Contactos que entorpecem, embriagam.

Paz tantas vezes procurada,
Felicidade que julgava perdida,
Equilíbrio nunca antes alcançado,
Apogeu, até aqui, sempre idealizado.

Eterno não sei se será,
Garantias jamais existirá,
Mas antes que o futuro confirme ou mude tudo,
No teu corpo, o meu, muitas vezes renascerá!
Alfers/Junho_2010 PT

* Este poema tem autor, se for copiá-lo, não oculte seu criador.

sábado, 12 de junho de 2010

Rafaela














Apareceu de surpresa
A minha primeira princesa,
Toda inchada, enrugada no berçário
Hoje linda mulher, extraordinário!

Intensa em tudo faz
Chorou e gargalhou como lhe apraz.
Hora bruxa, hora donzela,
Mas feliz sempre foi ela.

Minha amiga e companheira
Foi minha mascote a vida inteira.
Há quem diga que é a minha preferida,
Eu digo que é à mim mais unida.
Este poema é pra dizer a ela:
Amo-a, minha Rafaela!
Alfers / Junho 2010 PT

* Este poema tem autor se for copiá-lo, não oculte seu criador.

sábado, 6 de fevereiro de 2010

Quero mesmo é um AMOR



Eu quero mesmo é um amor. Pode ser um amor feinho como o da Adélia, bem simplinho, bem básico, bem sem fru-fru. Não precisa ser lindão, mas também não pode ser jururu, não precisa ser de arrasar, não precisa embalagem fina, salto alto. Pode ser amor pé descalço, despretensioso, que, pra variar, esteja pertinho e, se não estiver, dê jeito de ficar o mais depressa e urgentemente possível. Um amor de beijar, de amassar, aprazível, anti-derrapante que não solte as tiras, não deforme mas que, por favor, tenha cheiros vários. Um amor que não morra de susto, que não se tranque no armário, que não estaqueie, que não amarele, não fique pasmo, não encrenque e pare de funcionar da noite para o dia sem garantia ou assistência técnica. Pode ser sem opcionais, sem adereços, sem rima ou métrica, sem extras e sem bônus de vale-brinde, mas precisa estar em razoável estado de conservação. Muito importante é ser amor pé no chão: chega de platônicos, de fãs, admiradores ou de amor de fantasia. Se você é daqueles que aprecia uma musa inspiradora e epifanias para carregar na lembrança e nos enlevos pro resto da vida, para sonhar, imaginar, recordar e rejubilar-se, vá procurar outra sílfide, outra ninfa, outra pobre coitada compatível com altares, alturas e símbalos sonantes. Eu quero um amor pulsante, para beijar de olhos abertos, para tratar da frieira, para ir ao supermercado, para resolver problema, para brigar por mais espaço na rede, para reclamar que desmarcou a página do livro, para passear na feira. Eu quero mesmo é um amor bem vivo, daqueles férteis, tarados, famintos mas quietinhos, um amor de mãos dadas, de subentendidos e gargalhadas, café bem forte, beijo no pescoço, almoço de domingo, família peculiar. Eu quero um amor de se entregar que não me deixe esperando, não me pegue chorando de tristeza, que não me faça sofrer. Eu quero um amor sem aspereza, pra viver os dias todos: os muito quentes com gelo e limão, os muitos frios de pijama, chocolate e roupão. Eu quero um amor que faça da gente uma casa um para o outro, que nos torne reciprocamente refúgios contra todo o resto do mundo, um amor pra se abrir, se perscrutar, se invadir e não panicar. Eu quero um amor de surpresas boas, de confiança, de sofreguidão e de calmaria, um amor pra luz do dia e o mesmo amor para as noites vadias, um amor para enfrentar tudo e todos juntos com a certeza de que ainda que não sobrasse nada, sobraríamos nós, um pra ser o amor do outro. Patrícia Antoniete Ferreira


Amor Feinho - Adélia Prado
Eu quero amor feinho. Amor feinho não olha um pro outro. Uma vez encontrado, é igual fé, não teologa mais. Duro de forte, o amor feinho é magro, doido por sexo e filhos tem os quantos haja. Tudo que não fala, faz. Planta beijo de três cores ao redor da casa e saudade roxa e branca, da comum e da dobrada. Amor feinho é bom porque não fica velho. Cuida do essencial; o que brilha nos olhos é o que é: eu sou homem você é mulher. Amor feinho não tem ilusão, o que ele tem é esperança: eu quero amor feinho.

sexta-feira, 18 de dezembro de 2009



CONVITE DE NATAL

Enquanto a glória do Natal se expande,
Aqui, ali, além,
Toda a Terra se veste de esperança
Para a festa do bem!

Natal!...Refaz-se a vida, alguém ressurge,
Nos clarões com que o céu se te anuncia...
É Jesus a pedir-te que repartas
Do teu pão de alegria.

Para louvar-lhe os dons da Presença Divina,
Não digas, alma irmã, que nada tens;
A riqueza do amor, no coração fraterno,
É o maior de teus bens...

Quando o dia se esvai e a noite desce,
Ao comando da sombra que a domina,
Para varrer a escuridão da estrada
Basta a luz de uma vela pequenina.

O deserto se esfalfa em longa sêde,
Na solidão em que se configura...
Se chega simples fonte,
Ei-lo mudado em florida espessura!

Ninguém sabe tão bem, senão aquele
Que a penúria desgasta ou desconforta,
O valor de uma veste contra o frio,
O tesouro de um prato dado à porta.
A migalha de força é a base do Universo,
Desde a furna terrestre à estrela mais remota!
Todo livro se escreve, letra a letra,
Compõe-se a melodia, nota em nota...
Alma irmã, no serviço da bondade,
Jamais te afirmes desfavorecida...
Pobres sementes formam ricas messes!
Assim também na vida...

O cobertor, o pão, a prece, o abraço,
Uma frase de paz e compreensão
Podem criar prodígios de trabalho,
De reconforto e de ressurreição!

Natal!...Dá de ti mesmo o quanto possas,
No amparo à retaguarda padecente;
Toda benção de auxílio é socorro celeste,
Que Deus amplia indefinidamente.
Natal!...Recorda o Mestre da Bondade!...
Ele, o Cristo e Senhor,
Acendeu sobre a Terra o Sol do novo reino
Com migalhas de amor!

(Maria Dolores)

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009



Sentença final

A pensar em ti, sonhei lindos sonhos
Vivi da alegria do amanhecer a cada dia
Porque havia você.

Ouvia o cantar dos pássaros,
O barulho da chuva,
Em tudo via poesia, por pensar em você.

Mas segue a vida a sua estrada,
E pela sorte desgraçada,
Descobri que “mal-me-quer”.

Olho fixo na paisagem,
Já são turvas as imagens,
Marejadas pela dor.

Constato, não há redenção
Para esse meu tolo coração;
Vais mesmo morrer de amor!

Alfers\Dez.2009 _Portugal


Este poema tem autor, se for copiá-lo não oculte seu criador.

sábado, 25 de julho de 2009


Quimera
(Amei-te imensamente, nunca duvides!)

Sonhei acordada com teus beijos
Envolta em tantos desejos
Não percebi o despertar.

Olhei, a pouco, tua fotografia
E enxerguei o que não via
Enquanto me punha a sonhar.

O tempo não pára e passou
Só as marcas foi que deixou
Em tua face e em teu lugar.

A imagem que tenho na mente
Nem um pouco é condizente
Com a que estou a olhar.

Vi-te com os olhos da alma
Por isso perco a calma
E junto, também o chão.

Concluo neste momento
Que já não foi o vento
Quem te levou de mim.

Nunca comigo estivera
Foste só uma quimera
E se acabou por fim.

Alfers/Jul.2009_ Pt

* Este poema tem autor se for copiá-lo, não oculte seu criador.